Evento, dano e causa não são a mesma coisa
A ocorrência de um dano depois de determinado evento não demonstra, isoladamente, que um tenha causado o outro. A análise técnica precisa verificar se existe um mecanismo físico compatível que conecte o evento às manifestações observadas.
Esse raciocínio é relevante em sinistros, perícias judiciais, vícios construtivos, infiltrações, danos relacionados a obras vizinhas e outras situações em que existe divergência sobre a origem do problema.
Como a relação causal é investigada
- cronologia dos fatos e dos danos;
- natureza e distribuição das manifestações;
- mecanismos físicos compatíveis;
- condição anterior da edificação;
- manutenção, reformas e intervenções;
- documentos, fotografias, projetos e registros;
- compatibilidade entre a hipótese de causa e o dano observado.
Exemplos de relações que podem exigir análise
Obra vizinha e fissuras, vazamento e danos em revestimentos, chuva e infiltração, vendaval e cobertura, vício construtivo e manifestação patológica, manutenção deficiente e agravamento de danos.
Em alguns casos, as evidências não permitem determinar uma causa única. Nessa situação, registrar limitações e hipóteses concorrentes é parte importante de uma análise técnica responsável.
Sequência
Reconstrução da cronologia e das intervenções relevantes.
Mecanismo
Verificação da compatibilidade física entre hipótese e manifestação.
Evidência
Confronto da hipótese com registros, documentos e constatações disponíveis.
Perguntas frequentes
É possível afirmar nexo causal apenas pela sequência temporal?
Não. A sequência temporal é relevante, mas precisa ser compatível com um mecanismo técnico plausível e com as demais evidências.
Uma análise pode concluir que não há elementos suficientes?
Sim. Quando as evidências são insuficientes, a conclusão deve registrar as limitações em vez de apresentar certeza sem suporte técnico.
Nexo causal é usado apenas em processos judiciais?
Não. A análise também é útil em sinistros, negociações e investigações técnicas extrajudiciais.